Mulheres indígenas são excluídas na política latino-americana
As mulheres indígenas que conquistam espaço no poder político da América Latina representam uma ruptura histórica e simbólica. Ao assumir cargos de liderança, elas desafiam simultaneamente dois sistemas de dominação: o patriarcado, que tradicionalmente nega autoridade às mulheres, e a ordem colonial-racial, que por séculos excluiu os povos indígenas dos espaços de decisão estatal.
Essa dupla transgressão torna a violência política enfrentada por essas lideranças qualitativamente diferente, marcada por práticas sistemáticas e, muitas vezes, invisibilizadas. O cenário revela não apenas a resistência dessas mulheres, mas também a urgência de políticas públicas e mecanismos institucionais que garantam sua proteção e participação plena.
O avanço das mulheres indígenas na política é um marco para a democracia latino-americana, pois amplia a representatividade e fortalece a diversidade cultural nos processos decisórios. Ao mesmo tempo, expõe os desafios estruturais que ainda precisam ser superados para que o exercício do poder seja livre de discriminação e violência.
A presença dessas lideranças reafirma a importância da interseccionalidade na análise da política contemporânea, mostrando que gênero e raça são dimensões inseparáveis na luta por igualdade e justiça social.
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