Servidores municipais de Luís Eduardo Magalhães intensificam a mobilização após tentativas frustradas de diálogo com o Executivo em torno do reajuste salarial da categoria, cuja data-base está fixada no mês de janeiro. Segundo relatos, durante todo o período não houve avanço nas negociações, e apenas no limite do prazo para envio do projeto de lei ao Legislativo foi apresentado um índice de 5,4%, considerado insuficiente pelos trabalhadores.
O percentual proposto pela gestão municipal ficou abaixo inclusive do reajuste do salário mínimo nacional, que foi de 6,76%, ampliando a insatisfação da categoria. Em assembleia, os servidores haviam aprovado uma proposta de 8%, justificando perdas salariais acumuladas ao longo dos últimos anos.
Além da questão salarial, outro ponto que tem gerado apreensão é a possível retirada de direitos. De acordo com fontes ligadas ao Legislativo, o Executivo estuda encaminhar um projeto de lei que pode extinguir a licença-prêmio, benefício historicamente garantido ao funcionalismo público.
O cenário também provoca desgaste político. Nos bastidores, cresce a avaliação de que a condução do tema transmite uma sensação de descaso da gestão municipal com um setor historicamente relevante em termos eleitorais. O funcionalismo público teve papel determinante em pleitos anteriores e, em um momento de pré-campanha da primeira-dama para uma vaga de deputada estadual, a falta de diálogo com a categoria é vista como um movimento arriscado, especialmente diante da necessidade de conquistar um grande volume de votos na sede do município.
Outro ponto que tem gerado críticas é o fato de que o prefeito e a primeira-dama estariam em viagens com foco em articulações políticas para a futura campanha eleitoral, deixando em segundo plano a condução de uma pauta considerada urgente pelos servidores. Com isso, a responsabilidade pelas tratativas ficou concentrada no secretário de governo.
Paralelamente, o presidente do sindicato, apontado por servidores como alinhado à gestão, também teria se ausentado no mesmo período, o que foi interpretado por parte da categoria como um sinal de conivência diante da falta de avanço nas negociações.
Diante do cenário, os servidores decidiram se mobilizar e convocaram uma assembleia para discutir as pautas da categoria e definir os próximos passos, buscando garantir melhores condições de trabalho e a valorização do serviço público municipal.
